quarta-feira, 27 de abril de 2011

In-dignação

Me disseram que era errado, insensato e irracional.

Não posso mais respirar o ar dos poetas,
é incontestavelmente proibido viver do fervor dos boêmios,
a lei diz que tenho que voltar pra casa antes das 10.
- Nada de sentir, viver e amar.


Me falaram sobre humanidade e respeito,
e vi que eles carregavam a bíblia do julgamento numa mão
e na outra, a força contra a contradição.
- Nada de compreensão, compaixão e vontade.


Ao fim de cada noite, fui me deitar e me seguiram até o quarto.
Me cobriram de tolas mentiras e cochicharam,
'que tenha o sono dos justos'.
Depois só ouvi o barulho dos vidros quebrados e um grito sufocado.
Deixaram-na ferida na sala de estar, mais um corpo estendido no tapete vermelho.
E todos os dias são exatamente iguais ... sobrevive graças as minhas preces,
e daqueles outros que podem ouví-la chorar.

Sangra pelas escadas, ruas e faróis ...
Liberdade ferida, escondendo qualquer dor.



/ Por Ric e Ju F.

Nenhum comentário:

Postar um comentário