sexta-feira, 8 de abril de 2011

Gata sem dono

Enquanto a cidade dorme por trás das portas,
lá vai ela, caminhando lerda e mansa
pelos escombros das construções.
O nariz gelado, os olhos semicerrados,
perigos demais pra quase nada de sensatez.


Sem aquela pressa das 7 vidas,
atenta as orelhas pra qualquer ruído (des)conhecido.
Encosta no vão da janela e se deita.
Olha para o reflexo, repara nos dentes e garras,
se perguntando quando realmente precisou usá-los.
E antes que venha a resposta, se arrepia ..
bigodes pra cima, é melhor não pensar.


Segue olhando a lua, contando os muros e telhados,
e ri sozinha quando é sobre becos.
Talvez seja um pouco de solidão,
mas num banco qualquer tem sempre uma súplica
de um pobre coitado, um pouco injuriado.
Um perfeito par no sentido mais singular,
que perdeu sua história ou sua razão num copo
ou nos lábios de qualquer outra que o abandonou.
Não se importa, todo mundo é assim ...


 E lasciva, querendo mais mimo que novelo
pra se enroscar, sabe que convém miar baixinho.
Braços e pernas para chegar, o corpo todo
pra esbarrar num bom estranho.
E até o silêncio vê surgir um sorriso indecente,
já sabe bem o que acontece depois.
São duas mãos e um pouco de calor,
o melhor tipo de afago, sem necessidade de se pedir.
Estica o corpo, se contorce e na próxima vez
que abrir os olhos, ja vai ser outro dia, cheio ...


Cheio de alívios e vontades, afinal,
todo dia é sexta-feira treze.

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