segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Desde a-gosto.


Alguns sonhos, desde a-gosto, foram suficientemente fortes para percorrerem 31 dias e noites de tempestades cá em mim. Já no primeiro deles, me sentei na varanda como quem conhece todo o mundo para poder dizer sobre o pós-desastre, e a medida que vinha o segundo e o próximo, tudo se manteve intacto.
E eis uma forma surpreendente de descontruir certezas e ilusões: ver que tudo a sua volta está em constante transformação. Os ventos do mês não eram como antes, cortantes e impiedosos; o ceu não mais reclamava atenção e piedade desenhando aquele cinza tão incômodo.
O café, pela manhã, passou a ter o gosto de quem vive de sonhos. Cada parede que sustentava aquele teto desenhou uma história e uma pessoa para eu me ver em todas elas. E todas as palavras ganharam sentido, como balões que se inflamam  desgovernada e graciosamente.
Mas o silêncio, passando pela porta, caminhando manso, me viu ali ... encolhida e cheia de receios pela novidade. Sem qualquer pudor, me encarou e soube que desde sempre era refúgio de desejos e memórias, e eu só pude mergulhar. Com os braços mais ternos e quentes, fez-se meu abrigo para contornar de luz e som cada um dos Sonhos de Agosto que vão de Dezembro a Dezembro no meu calendário sem datas.