terça-feira, 19 de abril de 2011

Καρδιά

Desde domingo, ninguém por aqui tomou meu café.
Sei que não é obra sua, mas de todas as alheias lamúrias,
essa é exatamente a que eu não quero.
Não vou me sujar com o que te dizem pelos cantos
e a verdade é que não há como nos separar.

A mera aparência sustenta cada parte sua,
- independentemente de inverno ou verão -
e por vezes se perde no hedonismo de qualquer vagabundo.
Mergulha fundo e prende o ar,
te atormenta quase instantaneamente
até ecoarem seus gritos desesperados dentro de mim.
E você me trai, me condena em cima do palco,
e arranca a máscara que me protege.
Até o instante em que eu fico vermelha
e você promete parar de rir de mim.

Diante desses tormentos, sempre faço tempestade
para repetir as desculpas que ensaiei em cada suspiro.
Não é como culpa, talvez eu não saiba
qual a melhor maneira de cuidar de nós.
Escuto cada conselho e sei que muito me atrevo
deixando de medir o tamanho e impacto
toda vez que me atiro nos incontáveis abismos.

Te encontro no fim da tarde
e prometo não esquecer das 3 colheres de açúcar.
Aquele vestido que você tanto gosta
o anacronismo desenhado no mundo além
dessa janela e a certeza de eterno abrigo em você.

Nenhum comentário:

Postar um comentário