sábado, 5 de março de 2011

Lá do A lá do B

Lembrar.



Do sorriso sem motivo, brando e escancarado.
Da calma andando de mãos dadas com a espera, mesmo quando já não havia mais tempo.
De um perfume inexplicável, que nunca existiu.
Do olhar sincero, até na incerteza, colorindo a dúvida cruel.
Dos braços, ao redor, que não era proteção e nem possessão.
Das mãos passando entre os fios de cabelo, aquela coisa bem afago de gato.
Dos dedos se entrelaçando, denunciando cumplicidade.

A menina do vestido cor de algodão doce,
e a vida se fazendo em cada respiração.
O lado A daquele disco.

Da tentativa de aprisionar e sufocar, tantas amarras sem saber porquê.
Do que tentava causar a desistência, como algo puxando pra baixo.
De algumas marcas, que de certa forma nunca somem.
De algumas expectativas, carregadas de ilusões.
De esperar verdade, a maior das formas de mentir pra si mesmo.
Da injustiça, vulgar, pintada, toda disfarçada, andando pelas ruas da cidade.
Do falso humano, vivendo de aparências e opiniões.

A senhora do chapeu de cor de tempestade,
e a vida se desfazendo, virando pó, areia.
O lado B daquele disco.

Então, o que você quer ouvir?



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