sábado, 12 de março de 2011

Conversa com Tempo



Mas vê só, Tempo, é exatamente isso que
eu falei ontem a noite.
É essa ausência de pressa que me deixa aqui,
sentada por horas na varanda,
olhando as crianças brincando
com seus sonhos lá fora.

Parece uma sabedoria de milênios,
mas na verdade é um pouco de cansaço de
algumas décadas pesadas.
É quase a falta de direção acompanhada
pela vontade de chegar em algum lugar.
Muito longe de desistência ou acomodar-me,
é como a pausa necessária para aceitar
um fim de guerra, um começo de era.

E aí vou eu, desfilando sem passar,
ora com cores e ora sem amores,
fazendo festa pra cada sorriso e ás vezes,
sem querer, velório pra algumas decepções.
Cansada mas ainda crente em cantar e viver,
pequena, mas querendo ser enorme dentro dos outros.
Tão eu mesma _ profunda, clara e estampada_
que fica difícil explicar o que é.

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