sexta-feira, 27 de maio de 2011

Insolúvel

A menina dos olhos profundos feito Turmalina,
encontra abrigo exato em braços -
tão cansados, pendendo no corpo da resignação -
e criança que é, mergulha na ilusão de cada conto.
Crê em cada palavra. É então a verdade indubitável,
que faz mergulhar numa tela pintada a ilusões.


Adormece no instante em que o corpo corre
no sentido contrário da voracidade do mundo.
E naquele sonho, olha para a palma das mãos da mulher
e compreende quase que instantaneamente que força
é remar contra a corrente sem ao menos um barco.
Pupilas cor de camarelo ... doce, suave, ingênua.
Pensa .. 'Quero ser assim: poder me olhar no
espelho e ter certeza que lutei como ela.'


Ironia: a luz se apaga e assim, desperta.
Atordoada com o espaço que não devia existir,
uma mão fechada à garganta, a outra agarrando o lençol.
Onde ela está? Onde é que foi assim tão cedo?
Será que desceu as escadas pra fazer
o jardim florescer como nas outras manhãs?



Olhos verdes, do mais claro tom.



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