Sabe aquela mulher que acabou de entrar?
Ela vem em minha direção parecendo adivinhar os pensamentos tantos
que tento inultimente calar para mascarar minha curiosidade.
Um corpo esguio dançando suave - quase hipnotizando - chega à mesa e se senta.
Olhos brandos que nada perguntam mas devassam interiormente a qualquer um
que os fite por meros segundos, nessa distração banal do meio-dia.
E o mar de sensações indescritíveis que o magnetismo que essa criatura causa
em qualquer inocente, abre-se e assim abre também as cortinas.
'Sempre achei um pouco cômica a forma de me olharem dos pés a cabeça,
como se eu fosse dessas estátuas brancas de enfeitar jardim ou sala de estar.
Antes era justamente essa maquiagem que me aterrorizava ... hoje não.
Aprendi a fazer o que eu quero, para ser quem eu quero e no instante necessário.
Igual ele me disse dias atrás, acabei aprendendo a rebolar na cara do pecado.
Não posso negar que já quebrei os saltos e alguns desses tombos ainda
doem, devia ter me precavido em vez de optar sempre pelo perigo.
Porém, é exatamente jogando assim que durmo em lençois que não me
pertencem sem dividir o cobertor - distância como medida de segurança.
Posso acordar e decidir ser branda, calma. Chamo ele pra um café e entre uns
afagos e sorrisos, a gente conversa sobre política, religião e prazer.
Noutras vezes, sumo propositalmente e acho outros becos que me prendem
e só retomo o caminho de casa quando o sol da sanidade nasce ao leste.
Ou então me dou por perdida em outros ceus quando o tempo precisa parar.
E no meio dos pólos, trabalho árduo: cuido dos meus filhos que não nasceram.
De uma coisa você pode ter certeza ... ninguém sai ilesa da falta que faz um outro
que consuma o seu silêncio e seus gemidos, ao mesmo tempo, num mesmo abraço.
Não acho que solidão mate, mas a espera sim.'
Fitou o copo por alguns segundos e depois arrastou os sapatos até o outro
lado da sala. Não tive coragem de vigiar seus atos e esperei alguns minutos.
Disfarçadamente, vi .. caminhava lentamente na calçada, lá de fora,
abraçada com a sinceridade - de quem viveu todos os altos e baixos.
Ela vem em minha direção parecendo adivinhar os pensamentos tantos
que tento inultimente calar para mascarar minha curiosidade.
Um corpo esguio dançando suave - quase hipnotizando - chega à mesa e se senta.
Olhos brandos que nada perguntam mas devassam interiormente a qualquer um
que os fite por meros segundos, nessa distração banal do meio-dia.
E o mar de sensações indescritíveis que o magnetismo que essa criatura causa
em qualquer inocente, abre-se e assim abre também as cortinas.
'Sempre achei um pouco cômica a forma de me olharem dos pés a cabeça,
como se eu fosse dessas estátuas brancas de enfeitar jardim ou sala de estar.
Antes era justamente essa maquiagem que me aterrorizava ... hoje não.
Aprendi a fazer o que eu quero, para ser quem eu quero e no instante necessário.
Igual ele me disse dias atrás, acabei aprendendo a rebolar na cara do pecado.
Não posso negar que já quebrei os saltos e alguns desses tombos ainda
doem, devia ter me precavido em vez de optar sempre pelo perigo.
Porém, é exatamente jogando assim que durmo em lençois que não me
pertencem sem dividir o cobertor - distância como medida de segurança.
Posso acordar e decidir ser branda, calma. Chamo ele pra um café e entre uns
afagos e sorrisos, a gente conversa sobre política, religião e prazer.
Noutras vezes, sumo propositalmente e acho outros becos que me prendem
e só retomo o caminho de casa quando o sol da sanidade nasce ao leste.
Ou então me dou por perdida em outros ceus quando o tempo precisa parar.
E no meio dos pólos, trabalho árduo: cuido dos meus filhos que não nasceram.
De uma coisa você pode ter certeza ... ninguém sai ilesa da falta que faz um outro
que consuma o seu silêncio e seus gemidos, ao mesmo tempo, num mesmo abraço.
Não acho que solidão mate, mas a espera sim.'
Fitou o copo por alguns segundos e depois arrastou os sapatos até o outro
lado da sala. Não tive coragem de vigiar seus atos e esperei alguns minutos.
Disfarçadamente, vi .. caminhava lentamente na calçada, lá de fora,
abraçada com a sinceridade - de quem viveu todos os altos e baixos.
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